quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ensaio de samba falado


Me encontro em tormenta
Doce aumenta.
Disfarse serena, acaba de entrar.
Enxerga a maneira de ser
De ser como está
Que tira de qué comigo o momento de amar?
Quisera bem estar ao meu lado
Percebo também.
Tão bem o querer
Admito risonha, 
Seu traço me encanta
A alma me chama.
E que chama me encanta!

#36

Olhar não devia ser permitido
Até mais que o proibido
por passar si só inteiramente através deste.
Despe os mais armados
condena os pecados
protege os calados.

Vês agora o mal até do não-olhar?
significa rebaixar e aceitar.
Bastasse inventar,
nos restasse assumir.
Justo talvez só usar.
O que há de acontecer?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dor de colônia

Grito ao mais profundo eco
o canto, o sono, o choro
o mal-estar, o mais infame reclamar.
Me dou o bem prazer do pranto
O grande desencanto.

Pro alto


Como posso ir e voltar
Como todo o sempre
Sem também ser?
É daqui por diante
 luta constante.
Todos os dias,
viver os dias
não abandonar as coisas
as causas
os montes,
os nadas.
Levá-los, vivê-los, mostrá-los
Os tenho.
Motivos os vários, os toscos
restritamente abertos
encará-los.
Segui-los, pensá-los
Suavemente, intensamente
Dançando a vontade do momento
vivendo o vazio ou o intenso
Sem preparar que aconteça.
Como posso ir e voltar
Como todo o sempre
Sem também ser? Como?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Morte de mim

Dimuí meu tamanho no mundo.
Bom, acharam minha injúria pósta
fácil de ser vivida.
O secundário me foi posto
Sem querer sair do meu papel.
calaram a fala, ensurdeceram meus pobres ouvidos
Furaram-me os olhos.
Apenas siga, não pense
Siga.
E de teimar foi-me vista a morte
E sem alma resolvi caminhar
Sem saber a dor do pesar
de tantas cabeças.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

#32

Não presto mais serviços.
Disponível apenas a simultaneidade
Não há nada de valor meu
que possa valer toda a atenção em mim
E também não resta mais nada.

Não rastejo aos grandes
Pois pequena não sou
e nem grande. O claro
é a igualdade dos todos.

Mas tão claro que as vias não passam
Os olhos se fecham diante
A crista dislacera
Ao monte que chora e que ri - seguidos.

Se importa, quem importa?
Por cada um que faz a travessia
Não cabe julgar
Se não sabe o que diz
Pois não quer saber mais.
Tudo esgotado.
Tudo acabado.
E bem guardado, mofado inclusive.

Perca o que quiser
É o que resta em mentir e não sentir.

domingo, 10 de outubro de 2010

#31

Refúgio insólito e temido
Por muitos evitado
E ainda disponho a procurá-lo

Talvez não haja outra saída
Ou simplesmente a procura cansa
Ou somente não quis achar
Ou ela mesma não quis se mostrar
Que custava ajudar?

Só deparo em frente ao disparo
Tentando ajudar.
Se feri não há como evitar
Não há amparo
Sou de toda muda
Só posso ouvir e sair, nunca entrar